Nunes exonera capitão da Rota suspeito de ligação com PCC

Raphael Mendonça era membro da Assessoria Militar do gabinete do prefeito e é investigado pela Corregedoria da PM em inquérito que apura vazamento de informações para a facção

O prefeito de São PauloRicardo Nunes (MDB), exonerou nesta quinta-feira o Policial Militar Raphael Alves Mendonça, membro da Assessoria Militar do seu gabinete, responsável pela segurança do dirigente municipal. Mendonça é investigado pela a Corregedoria da PM por supostamente participar de uma rede de informantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Corregedoria já investigava, desde abril de 2024, agentes que estariam fazendo serviços de escolta para integrantes da facção criminosa e vazando informações sigilosas para a organização.

Além de revogar a nomeação de Mendonça para o cargo em seu gabinete — posição que ele ocupava desde junho de 2024 — o prefeito também cancelou a gratificação que o PM teria recebido no cargo. O policial foi transferido para o 21º Batalhão de Polícia Militar no último dia 20, segundo a Corregedoria, onde desempenha “atividades administrativas”.

Antes de fazer parte da equipe de segurança do prefeito, Mendonça atuou, entre janeiro de 2016 e setembro de 2022, da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA).

Em nota, a Polícia Militar esclarece que o envolvimento de integrantes da corporação com o crime organizado é “rigorosamente investigado” e já resultou na detenção de 17 PMs. Entre eles, 14 da escolta clandestina do delator do PCC Vinícius Gritzbach, assassinado a tiros no aeroporto de Guarulhos, 2 supostos atiradores e um tenente, que seria o motorista do carro usado no crime.

“A corporação reforça seu compromisso com a legalidade e enfatiza que nenhum desvio de conduta será tolerado”, pontuou.

A prefeitura afirmou em nota que Mendonça fez a escolta do prefeito eventualmente, em substituição a outros policiais militares. “É importante destacar que a seleção e movimentação desses profissionais são de responsabilidade da Polícia Militar”.