As instituições financeiras demonstram um sentimento mais negativo em relação às condições de oferta de crédito para este ano, especialmente no que se refere ao financiamento da casa própria. Isso é evidenciado pela Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito, divulgada nesta quinta-feira pelo Banco Central.
Os bancos que participaram da pesquisa indicaram uma deterioração generalizada das condições de crédito no quarto trimestre de 2024. Para os primeiros meses de 2025, a expectativa é de um agravamento do cenário, tanto para famílias quanto para empresas, com uma piora mais acentuada no financiamento imobiliário.
A pesquisa revela que, no final de 2024, houve um aumento nos custos e uma diminuição na disponibilidade das fontes de recursos para o crédito habitacional, além de um crescimento na inadimplência. O setor imobiliário enfrenta desafios devido à queda no saldo da caderneta de poupança, tradicionalmente utilizada como fonte de financiamento. A Caixa Econômica Federal, maior banco no crédito imobiliário, teve que tornar mais rígidas as condições para acessar os empréstimos, com aumento na entrada exigida e limitação de valores de imóveis financiáveis a R$ 1,5 milhão pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
“O cenário para o primeiro trimestre de 2025 é de um agravamento das dificuldades, particularmente no que se refere ao custo e à disponibilidade de recursos e à inadimplência, o que deve resultar em uma postura mais cautelosa e com menor tolerância ao risco”, afirma o Banco Central sobre os resultados da pesquisa.
Quanto à demanda, o estudo aponta que as expectativas permanecem positivas para linhas de crédito voltadas ao consumo das famílias, neutras para as empresas, e mais fracas no crédito imobiliário. A previsão para a inadimplência é de aumento nos primeiros meses de 2025, principalmente nos setores de micro, pequenas e médias empresas, bem como no crédito voltado ao consumo das famílias.