Lula anuncia reação à taxação do aço de Trump: ‘Denunciaremos ou taxaremos produtos dos Estados Unidos’

Declaração ocorre após presidente dos EUA assinar memorando sobre tarifas recíprocas a países que impõem taxas de importação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta-feira que o Brasil tomará ações “comerciais” em resposta à decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas sobre o aço brasileiro. A manifestação do presidente ocorre logo após Donald Trump assinar um memorando que possibilita a imposição de tarifas recíprocas a países que cobram taxas sobre as importações de produtos americanos.

“Se houver taxação sobre o aço brasileiro, vamos agir comercialmente, seja denunciando na Organização Mundial do Comércio ou impondo tarifas sobre os produtos que importamos dos EUA”, afirmou Lula durante uma entrevista à Rádio Clube do Pará, referindo-se ao organismo internacional responsável pela regulação do comércio mundial.

Lula também destacou a postura dos EUA ao longo das últimas décadas em relação ao comércio global. Segundo ele, os Estados Unidos prometeram e impulsionaram o livre comércio por mais de 60 anos, incentivando outros países a seguir essa linha, especialmente após os anos 1980. “Empresas de todo o mundo, especialmente dos EUA e Europa, buscaram na China a exploração de uma mão de obra barata e um regime político rigoroso. No entanto, os chineses evoluíram e hoje possuem um nível de tecnologia superior ao dos outros países”, disse o presidente.

O chefe de Estado também abordou a relação com o presidente dos EUA, Donald Trump, com quem ainda não teve qualquer comunicação desde a posse dele em 20 de janeiro. “Ainda não conversei com Trump, e ele também não entrou em contato comigo. A relação é entre os governos do Brasil e dos EUA. Consideramos os Estados Unidos um parceiro vital, e esperamos que os EUA reconheçam a importância do Brasil”, completou.

Embora o memorando sobre as tarifas tenha sido assinado, a implementação das medidas ainda está pendente. Um representante da Casa Branca informou que a decisão de adiar a aplicação das tarifas foi tomada para permitir que os países tenham tempo para negociar novos acordos comerciais com os Estados Unidos.

O memorando de Trump determina que seus assessores avaliem as práticas comerciais dos países, com o objetivo de definir quais tarifas recíprocas serão impostas. A medida gerou preocupações sobre uma possível escalada de uma guerra comercial em nível global.

Trump reconheceu que “os preços podem aumentar” nos EUA como consequência das tarifas, e a decisão indica que a análise das práticas comerciais não se limitará apenas às tarifas impostas sobre os produtos americanos. O governo dos EUA também levará em conta impostos sobre produtos estrangeiros, subsídios a indústrias nacionais, políticas cambiais e outras medidas consideradas injustas, que, segundo Trump, justificariam a retaliação.

A ordem assinada por Trump orienta o Departamento de Comércio dos EUA a realizar estudos para determinar as tarifas específicas que serão aplicadas a cada país. O processo de análise pode durar semanas ou até meses. O indicado por Trump para chefiar o Departamento de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que todos os estudos deverão ser concluídos até 1º de abril, após o que o presidente poderá agir.

“Se algum país nos impuser tarifas ou impostos, responderemos com o mesmo nível de taxação”, declarou Trump, acrescentando que “os aliados dos EUA, muitas vezes, são mais duros comercialmente do que nossos próprios inimigos”.