Policiais Bolsonaro e Xixo: envolvidos em vídeo chamadas da prisão, quem são eles?

Policiais civis presos por extorsão a traficante, Valmir "Bolsonaro" e Valdenir "Xixo", são alvos de operação

Valmir Pinheiro, conhecido como “Bolsonaro”, e Valdenir Paulo de Almeida, apelidado de “Xixo”, são policiais civis que estão sob investigação por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ambos estão presos desde setembro de 2024 e são acusados de aceitar propina para arquivar investigações relacionadas ao tráfico de drogas. Nesta terça-feira (4/2), eles foram alvo de uma operação de busca e apreensão conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Corregedoria da Polícia Civil.

De acordo com as investigações, os policiais utilizavam celulares dentro do presídio para realizar vídeo chamadas e interagir com membros da facção, pressionando-os a omitir informações durante depoimentos. A entrada dos celulares na cadeia foi facilitada por familiares dos policiais. As acusações contra Pinheiro e Almeida incluem crimes como corrupção, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública.

O MPSP relata que os dois policiais receberam R$ 800 mil do traficante João Carlos Camisa Nova Júnior, com o intuito de interromper uma investigação sobre o envio de grandes quantidades de cocaína para a Europa. Os pagamentos de propina teriam sido feitos mensalmente por advogados ligados ao PCC entre 2020 e 2021, resultando no arquivamento de inquéritos e na suspensão de investigações conduzidas pelo Departamento de Narcóticos (Denarc).

Além disso, as investigações indicam que Pinheiro e Almeida invadiram 15 “casas-cofre” pertencentes ao PCC, após o delator Vinícius Gritzbach, membro da facção, ter informado sobre os locais. Em uma operação sem mandado judicial, os policiais apreenderam milhões de reais em dinheiro, causando um prejuízo estimado em R$ 90 milhões para a organização criminosa. As ações dos policiais foram mencionadas por um integrante do PCC, Tacitus, em mensagens enviadas a Gritzbach e delegados, conforme registrado nas investigações.

Vinícius Gritzbach, que foi morto em novembro de 2024, também teria passado as coordenadas das “casas-cofre” a Pinheiro e Almeida, que, sem qualquer autorização judicial, realizaram os roubos. As investigações continuam, e as autoridades buscam esclarecer o envolvimento de outros possíveis colaboradores.

Em sua trajetória policial, Valdenir “Xixo” Paulo de Almeida, de 57 anos, atuou em diversas operações de destaque. Em 2015, por exemplo, ele trabalhou na 6ª Delegacia de Investigações sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro, colaborando com a Polícia Civil de Sergipe para desarticular uma quadrilha especializada em roubo de veículos e falsificação de documentos. Seu trabalho foi reconhecido publicamente, com destaque no Diário Oficial, onde o então delegado geral o parabenizou pela “extraordinária dedicação no cumprimento do dever”.

Já Valmir “Bolsonaro” Pinheiro, investigador da polícia, passou a ser investigado por suspeita de envolvimento em práticas de corrupção, cobrando subornos para interromper apurações sobre o PCC e desviar drogas apreendidas pela polícia.