Presidente do México evita tarifas dos EUA ao deslocar 10 mil agentes da Guarda Nacional para a fronteira

Com habilidade diplomática, presidente do México faz líder republicano recuar em ameaça econômica por um mês

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou na manhã de segunda-feira (4/2) que alcançou um entendimento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para adiar por um mês a imposição de tarifas elevadas contra o México. O presidente do Senado mexicano, Gerardo Fernández Noroña, disse ao *The Times* que não ficou surpreso, pois já sabia que Sheinbaum tinha a situação sob controle assim que soube da conversa telefônica entre os dois líderes. Ele descreveu o acordo como uma “grande negociação”, ressaltando que, apesar das dificuldades aparentes, ela lidou muito bem com a situação.

Com a iminente ameaça de uma guerra comercial com o seu principal parceiro comercial, Sheinbaum garantiu uma vitória diplomática ao seu país. Sua abordagem foi diferente da adotada por outros líderes, como o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, que reagiu às ameaças de Trump com contramedidas mais rígidas. A presidente mexicana, por outro lado, manteve sua postura de cooperação.

O resultado imediato do acordo foi um alívio significativo para o México, aumentando a pressão sobre o Canadá, que também enfrentava ameaças econômicas de Trump. Enquanto Sheinbaum começa seu governo com um apoio forte no Congresso, Trudeau está em uma posição política mais frágil, o que pode ter afetado sua capacidade de negociar. Pamela Starr, professora de relações internacionais na Universidade do Sul da Califórnia, comentou à *Bloomberg* que Sheinbaum tem se esforçado para ser cooperativa com os pedidos de Trump.

Desde que o presidente dos EUA ameaçou tarifas em novembro, a presidente mexicana tem enfatizado a importância da colaboração entre os países, sinalizando a construção de centros de recepção na fronteira e promovendo operações de combate ao tráfico de drogas. O acordo agora estabelecido inclui o envio de 10 mil membros da Guarda Nacional mexicana para a fronteira, com o objetivo de combater o tráfico de fentanil, e uma colaboração mais forte para interromper o fluxo de armas para o México.

No entanto, analistas consideram que o México fez concessões mínimas para evitar um impacto econômico maior. Em troca do adiamento das tarifas de 25% sobre produtos mexicanos, até pelo menos março, o país se comprometeu a aumentar o número de membros da Guarda Nacional na fronteira. Essa medida, embora nova em termos de quantidade, não altera a prática de usar a Guarda Nacional para patrulhar a área fronteiriça. Além disso, o acordo inclui a colaboração dos EUA para interromper o fluxo de armas.

O ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, antecessor de Sheinbaum, também teve um relacionamento próximo com Trump, mas adotou uma postura mais confrontadora em algumas ocasiões. A principal diferença entre os dois líderes é o tom adotado por Sheinbaum, que tem se mostrado mais equilibrada e diplomática.

Sheinbaum mencionou que a conversa com Trump foi “muito respeitosa”, e o presidente dos EUA a classificou como “muito amigável”. Após as negociações, a presidente do México reforçou a importância de uma relação de respeito e igualdade entre os dois países.

A analista política Viridiana Ríos destacou que, por trás da negociação bem-sucedida, Sheinbaum soube apresentar dados que permitiram a Trump justificar um triunfo diante de seus apoiadores, especialmente nas questões migratórias. O México demonstrou sucesso em reduzir significativamente a migração para o norte, o que ajudou a suavizar as tensões.

Ríos também ressaltou que, embora o acordo tenha oferecido uma solução temporária, ele evidencia a necessidade do México de diversificar suas alianças e reduzir a dependência dos EUA, que se tornou um parceiro mais imprevisível ao longo dos últimos anos.

Quanto ao envio dos 10 mil membros da Guarda Nacional, a operação começou na terça-feira (5/2). Essa medida, que coloca grande pressão sobre a Guarda Nacional, foi uma resposta a uma série de demandas de Trump e ao aumento da insegurança nas fronteiras. O México, ao contrário dos EUA, depende do Exército e da Guarda Nacional para a vigilância das fronteiras, devido a limitações legais sobre as forças de imigração.

Sheinbaum explicou que os 10 mil agentes seriam realocados de outras áreas do país, sem fornecer muitos detalhes sobre o custo da operação. Ela também afirmou que, além do aumento na segurança fronteiriça, os dois países continuariam a trabalhar em conjunto para combater o tráfico de armas e o crime organizado no México.