Cerca de 50 hipopótamos morrem no Congo devido a surto de antraz

Antraz no Congo mata hipopótamos e acende alerta sobre os riscos à fauna no Parque Nacional de Virunga

Um surto de antraz resultou na morte de pelo menos 50 hipopótamos no Parque Nacional de Virunga, localizado no leste da República Democrática do Congo. Autoridades locais informaram que a doença também pode ter afetado outros animais de grande porte, como búfalos.

O antraz, causado pela bactéria Bacillus anthracis, é uma doença infecciosa capaz de formar esporos extremamente resistentes, que podem sobreviver por longos períodos no solo e em materiais como lã e pele de animais infectados. Já ocorreram surtos semelhantes em várias regiões africanas, especialmente durante a seca.

Os corpos dos hipopótamos foram encontrados flutuando no rio Ishasha, que atravessa áreas controladas por grupos armados e deságua no Lago Edward, onde mais cadáveres de animais foram avistados. “Há mais de 25 corpos de hipopótamos flutuando nas águas do lago, entre Kagezi e Nyakakoma”, relatou Thomas Kambale, líder da sociedade civil local.

O Instituto Congolês para a Conservação da Natureza (ICCN) emitiu um alerta à comunidade nesta terça-feira (8/4), pedindo que evitem a vida selvagem na região e recomendando que a água de fontes locais seja fervida antes do consumo. A origem do surto ainda está sendo investigada, mas especialistas acreditam que a bactéria responsável pode ter contaminado o solo e, posteriormente, as plantas consumidas pelos animais.

O antraz é uma doença altamente contagiosa e letal, que pode ser transmitida através da ingestão, inalação ou contato com esporos presentes em carcaças ou no ambiente contaminado. As mortes representam um grande revés para o parque, que investiu nas últimas décadas para restaurar a população de hipopótamos, que foi reduzida de mais de 20 mil para apenas algumas centenas em 2006, devido à caça ilegal e aos conflitos armados. Graças aos esforços de conservação, o parque abriga atualmente cerca de 1.200 hipopótamos.

A doença também já causou surtos em outras partes da África, especialmente durante períodos de seca, quando os animais pastam em solo contaminado. Diante da situação, as autoridades locais solicitaram apoio internacional para ajudar a conter o surto e reforçar os programas de vigilância sanitária e conservação no Parque Nacional de Virunga.