Divisão no PT aumenta com denúncias envolvendo jatinho e candidatura contrária a Lula

Partido terá eleição interna em julho, enquanto Humberto Costa lidera interinamente desde março

A disputa pela presidência do PT, que já contava com o apoio do presidente Lula (PT) ao ex-prefeito Edinho Silva, tomou um novo rumo com questionamentos sobre os gastos da campanha do favorito do Planalto e o lançamento de uma candidatura concorrente.

Na terça-feira (8), Valter Pomar, líder da corrente Articulação de Esquerda e também candidato à presidência, fez um pedido de esclarecimento ao presidente do PT, Humberto Costa, e à tesoureira, Gleide Andrade. Ele queria saber se o partido estava custeando as viagens de Edinho Silva, que está percorrendo diversas cidades do Brasil. Pomar anexou ao seu pedido fotos e detalhes dos trajetos de Edinho, que envolviam visitas a Palmas (TO), Cuiabá (MT) e Contagem (MG) durante o fim de semana.

Em resposta, o PT enviou um ofício assinado por Costa e Gleide, afirmando que o diretório nacional não havia custeado nenhuma das despesas relacionadas às viagens de Edinho e que não tinha informações sobre o assunto.

Pomar, no entanto, questionou a viabilidade de realizar tais deslocamentos comerciais para essas cidades em um único final de semana, sugerindo que isso só seria possível com o uso de um jatinho privado. Ele também destacou o caráter profissional das postagens nas redes sociais de Edinho, que, segundo ele, exigiriam a presença de uma equipe de apoio. Pomar sugeriu que o financiamento dessas viagens poderia vir de doações de empresários ou militantes, e questionou se o partido estaria bancando esses custos.

A troca de mensagens entre Pomar e a cúpula do PT rapidamente circulou nas redes internas do partido. Procurado pela imprensa, Edinho Silva preferiu não comentar o caso.

Já na quarta-feira (9), Pomar voltou a questionar a liderança do PT sobre o suposto impulsionamento de postagens nas redes sociais em apoio a Edinho. Nesse mesmo dia, o ex-presidente do PT, Rui Falcão, anunciou sua candidatura à presidência do partido em oposição ao ex-prefeito.

Falcão, que fará o lançamento oficial de sua candidatura na segunda-feira (14), em São Paulo, usou um discurso forte, criticando a necessidade de um PT que “enfrente a direita não com flores, mas com mobilização social e luta”. Em sua fala, ele procurou deixar claro que sua candidatura não seria uma afronta a Lula, pois ainda não havia recebido uma manifestação clara do presidente em favor de outro nome. Falcão afirmou que está comprometido com a reeleição de Lula, considerando-o a principal liderança do partido.

Falcão espera conquistar o apoio de deputados federais na eleição interna do PT. Embora Edinho tenha enfrentado resistência dentro da corrente CNB (Construindo um Novo Brasil), aliados de Falcão acreditam que a candidatura pode levar a disputa para um segundo turno.

Por outro lado, Edinho tem ampliado seu leque de apoios, recebendo nesta quarta-feira (9) o apoio do ex-ministro Paulo Pimenta. Seus aliados calculam que ele tem votos suficientes para vencer a eleição interna já no primeiro turno.

Lula, que se empenhou em tentar evitar a divisão interna do partido, se reuniu com dirigentes para buscar um acordo, mas até o momento não obteve sucesso.

O controle do caixa do PT também está em jogo nesta disputa. Em fevereiro, a sigla aprovou uma mudança no estatuto, permitindo a reeleição de parlamentares e dirigentes partidários que tenham cumprido três mandatos consecutivos na mesma casa legislativa ou instância do partido. Essa mudança garante a reeleição de Gleide Andrade para a tesouraria do PT.

No entanto, aliados de Edinho argumentam que, tradicionalmente, a tesouraria tem sido ocupada por pessoas próximas ao presidente do partido, o que intensifica a disputa interna.

A eleição interna do PT está marcada para julho. Atualmente, o partido é liderado interinamente pelo senador Humberto Costa, desde que Gleisi Hoffmann assumiu o Ministério das Relações Institucionais, em março.