Dólar sobe 3% e Bolsa despenca após retaliação da China às tarifas de Trump

Dólar registra alta de 3,75% e chega a R$ 5,841 às 16h08

O dólar disparou nesta sexta-feira (4), impulsionado pela resposta da China às tarifas implementadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A segunda maior economia mundial anunciou que aplicará tarifas adicionais de 34% sobre as importações dos EUA, em retaliação aos impostos de mesma magnitude impostos por Trump na quarta-feira.

Às 16h08, a moeda norte-americana registrava alta de 3,75%, cotada a R$ 5,841. Durante o pico da sessão, chegou a R$ 5,844, o que representa uma valorização de 3,82% em comparação ao valor do dia anterior, que estava em R$ 5,629.

Enquanto isso, a Bolsa brasileira enfrentava um tombo de 3,15%, caindo para 126.998 pontos. A maioria das ações que compõem o índice Ibovespa estavam no território negativo. Esse foi o menor patamar do índice em três semanas, uma vez que o Ibovespa vinha flutuando ao redor de 131 mil pontos até o momento.

O Ministério do Comércio chinês informou que as novas tarifas sobre os produtos dos EUA entrarão em vigor no dia 10 de abril.

Reação global e o temor de uma guerra comercial

De acordo com Alison Correia, analista de investimentos da Dom Investimentos, as tarifas impostas pela China têm um impacto negativo significativo nos mercados globais, gerando uma sensação de pânico. “As duas maiores economias do mundo agora estão oficialmente em uma guerra comercial”, afirmou.

Esta decisão chinesa marca o primeiro grande bloco de medidas retaliatórias desde que o “tarifaço” de Trump foi anunciado, o que gerou uma queda acentuada nas Bolsas globais na quinta-feira, devido aos possíveis efeitos sobre o comércio internacional.

Pequim classificou as novas tarifas dos EUA como uma “ação unilateral de intimidação”, ressaltando que a medida vai contra as normas do comércio internacional e prejudica os interesses legítimos da China.

Trump, por sua vez, afirmou que suas políticas “nunca mudarão” e acusou a China de cometer um “erro grave” ao retaliar os EUA. “Eles entraram em pânico, o que é a última coisa que podem se permitir”, escreveu o presidente norte-americano em sua rede social Truth Social.

Medidas de Trump e os temores de impacto global

Na quarta-feira, Trump anunciou a aplicação de uma sobretaxa de 34% sobre os produtos chineses e instituiu uma tarifa básica de 10% sobre todas as importações dos Estados Unidos, independentemente de sua origem. Além disso, ele aumentou tarifas para a União Europeia (20%), Japão (24%) e Brasil (10%), com 186 economias sendo afetadas pelas novas taxas.

Trump justificou essas medidas como uma “declaração de independência”, dizendo que os EUA estavam sendo “gentis”, mas agora iriam cobrar “aproximadamente metade” do que os outros países impõem. As tarifas não seriam “completamente recíprocas”, segundo o presidente.

Os analistas, no entanto, temem que as novas tarifas aumentem a inflação em uma ampla gama de produtos e causem distúrbios nas cadeias de fornecimento globais, especialmente se outros países seguirem com represálias semelhantes.

Com a retaliação da China, os receios de uma guerra comercial se materializaram. A expectativa agora é que outras economias afetadas, como a União Europeia e o Japão, possam anunciar suas próprias represálias.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou medidas limitadas para combater as tarifas dos EUA, classificando-as como uma “tragédia” para o comércio global. No Japão, o primeiro-ministro Shigeru Ishiba afirmou que as novas tarifas criaram uma “crise nacional”. Já na União Europeia, um pacote de retaliações está sendo discutido.

Impacto nos mercados e recessão global

A escalada da guerra comercial, especialmente se outros países se unirem à China, pode agravar a queda no comércio internacional e aumentar o risco de uma recessão global, alertou o economista André Valério, do Inter. De acordo com análises do JPMorgan, o risco de uma recessão mundial aumentou de 40% para 60% em apenas uma semana devido ao tarifaço de Trump.

Valério observa que o impacto nos mercados nesta sexta-feira sugere que os investidores estão considerando a possibilidade de uma desaceleração econômica mais pronunciada. “Tudo indica que as tarifas de Trump terão um impacto mais negativo no crescimento econômico do que na inflação. Embora a economia dos EUA seja robusta, as medidas de Trump podem interromper o atual ciclo de expansão”, afirmou.

Além da queda acentuada nas bolsas brasileiras, que resistiram parcialmente ao impacto global da quinta-feira, outras praças financeiras também estão refletindo temores de uma recessão. Nos Estados Unidos, o S&P 500 despencava 4,59%, o Nasdaq Composite caía 4,34% e o Dow Jones registrava perdas de 4,06%. Na Europa, o índice Stoxx 600 caiu 5,12%, o FTSE 100 perdeu 4,30% e o DAX da Alemanha recuou 4,59%. O Nikkei, em Tóquio, fechou em baixa de 2,75%, registrando uma queda semanal de 9%, o pior desempenho desde março de 2020.

O impacto da guerra comercial, com tarifas sendo elevadas, reflete a incerteza crescente sobre o futuro do comércio internacional e a possibilidade de uma recessão global.