Na última segunda-feira (26), moradores de Fernando de Noronha realizaram uma manifestação exigindo o direito de escolher diretamente o administrador-geral do arquipélago, cargo atualmente de responsabilidade do governo de Pernambuco. O movimento, denominado “Diretas Já”, surge em um momento de impasse quanto à nomeação de um novo administrador, função que permanece vaga desde janeiro. A demora da governadora Raquel Lyra (PSD) em fazer a nomeação gerou acusações de que a decisão estava sendo usada como barganha política, com o objetivo de obter apoio para seu governo. O deputado Waldemar Borges (PSB) criticou, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o uso político da nomeação, sugerindo que ela seria uma “moeda de troca” para atrair partidos para a base governista.
Em fevereiro, Lyra indicou Walber Santana, secretário de Meio Ambiente, para o cargo, mas desistiu na véspera da sabatina na Comissão de Justiça da Alepe. Em seguida, indicou o advogado Virgílio de Oliveira, que é filho do deputado federal Waldemar Oliveira (Avante) e sobrinho do presidente estadual do partido, Sebastião Oliveira. A indicação de Virgílio ainda precisa passar pela aprovação dos deputados estaduais, mas o processo está parado devido a um impasse político, com o presidente da comissão, Alberto Feitosa (PL), da oposição, retardando a sabatina.
O movimento por eleições diretas em Noronha contou com a participação de vários conselheiros distritais e moradores, que pedem maior autonomia para a escolha do administrador. Atualmente, os cerca de 3.600 eleitores da ilha escolhem sete representantes para o conselho distrital, que não possui poder legislativo. Milton Luna, presidente do conselho, e Ailton Júnior, conselheiro mais votado na última eleição, expressaram apoio à manifestação nas redes sociais, enfatizando a importância de a comunidade poder escolher seu próprio representante.
Nino Alexandre Lehnemann, presidente da Assembleia Popular Noronhense (APN), defende que uma gestão mais abrangente e focada em serviços essenciais, como infraestrutura e saúde, é necessária. No entanto, ele sugere que a questão da escolha do administrador ainda precisa ser amplamente discutida entre a população. Lehnemann propõe que, enquanto não há consenso, a comunidade poderia eleger um administrador-adjunto, cargo ocupado desde o início do mês por José Aglailson Neto, indicado pela governadora.
Ailton Flor, presidente da Associação da Hotelaria de Fernando de Noronha (AHFN), acredita que uma “gestão compartilhada” poderia melhorar a administração da ilha, ao mesmo tempo em que ressalta a importância de agir com cautela e em colaboração com o governo estadual, para dar respostas rápidas às demandas locais.
Na Alepe, tramita uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada por Waldemar Borges, que visa permitir que os moradores escolham seus representantes diretamente. Borges afirma que essa mudança garantiria mais legitimidade ao cargo de administrador-geral, refletindo os interesses reais da população de Fernando de Noronha.
A manifestação, que representa um descontentamento com o processo atual de indicação, está ganhando apoio da comunidade, que exige uma mudança no modelo de governança da ilha, com mais autonomia para os residentes.