Ameaças dos EUA a Moraes geram tensão entre STF e Itamaraty

O Itamaraty vem atualizando os ministros do STF sobre os desdobramentos, mas interlocutores da Corte consideram que o envolvimento direto de Vieira ainda é tímido

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expressaram desconforto com a postura do chanceler Mauro Vieira diante da ameaça de sanções americanas ao ministro Alexandre de Moraes. Embora estivesse com encontros agendados na Corte, o chefe do Itamaraty desmarcou por questões de agenda, o que causou desagrado entre os magistrados. Eles acreditam que a possibilidade de retaliação por parte do ex-presidente americano Donald Trump deveria receber mais atenção.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, indicou a possibilidade de aplicar sanções a Moraes com base na Lei Magnitsky, que permite punições por violações graves de direitos humanos e corrupção. Entre as possíveis medidas, estão bloqueio de ativos e restrição a relações comerciais com empresas e indivíduos vinculados aos EUA.

O Itamaraty vem atualizando os ministros do STF sobre os desdobramentos, mas interlocutores da Corte consideram que o envolvimento direto de Vieira ainda é tímido. Em audiência na Câmara nesta semana, o chanceler disse que os EUA têm autonomia para aplicar sanções em seu território, mas que a legislação não pode atingir brasileiros em solo nacional.

Rubio também anunciou a restrição de vistos a estrangeiros considerados responsáveis por censura a cidadãos americanos, sem citar nomes. O movimento ocorre ao mesmo tempo em que Eduardo Bolsonaro, atualmente fora do país, realiza articulações para pressionar os EUA a punirem ministros do STF.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga Eduardo por suas declarações públicas, consideradas como tentativa de intimidação e interferência em processos em curso. Ele declarou que pretende permanecer no exterior até que Moraes seja sancionado pelo governo norte-americano.