Defesa afirma que não há provas contra Cupertino: “Motivo não é prova”

A defesa, liderada por Juliane Santos de Oliveira, argumentou que o caso está carregado por julgamentos prévios da opinião pública

No segundo dia de julgamento, Paulo Cupertino Matias — acusado pelo assassinato do ator Rafael Miguel e dos pais do jovem em 2019 — se emocionou durante a leitura de uma carta de apoio. A sessão ocorreu nesta sexta-feira (data não especificada) e a decisão do júri, composto por sete pessoas, deverá ser proferida ainda hoje pelo juiz Antonio Carlos Pontes de Souza.

Rafael, conhecido por seu papel em “Chiquititas”, tinha 22 anos quando foi morto ao lado dos pais, João Alcisio Miguel (52) e Miriam Selma Miguel (50). Eles foram baleados na porta da casa de Isabela Tibcherani, então namorada de Rafael e filha de Cupertino, na Zona Sul de São Paulo. Segundo a acusação, o crime teve motivação torpe e foi executado de modo que impossibilitou qualquer defesa por parte das vítimas.

Durante o julgamento, Cupertino chorou ao ouvir uma carta de sua sobrinha, lida pela advogada, que o descreveu como alguém com “bons princípios”, “sonhador” e que “nunca foi um monstro”.

A defesa, liderada por Juliane Santos de Oliveira, argumentou que o caso está carregado por julgamentos prévios da opinião pública e destacou: “ausência de provas”. Ela pediu ao júri que “descontaminem” suas consciências em relação à cobertura midiática e reforçou: “O Paulo é um homem que fala alto, se impõe, isso é a personalidade dele. Cada um aqui tem a sua personalidade. A denúncia se baseia única e exclusivamente no motivo da personalidade. ‘Possessivo’ e ‘violento’, esses são os termos da denúncia. Motivo não é prova”.

Referindo-se ao período em que o réu ficou escondido — ele foi preso quase três anos após o crime —, a advogada afirmou que ele “temia reações” por causa do “linchamento midiático” e destacou que “estar foragido não é nota de culpa”.

Já a defensora Mirian Nunes Souza criticou o processo judicial, alegando prejuízos à defesa, e mencionou falhas como a falta de perícia em um spray de pimenta supostamente pertencente a Rafael e nas cápsulas do local do crime. Ela questionou: “Nunca vi na minha vida uma testemunha ocular que não viu o crime. Existe imagem? Foi apresentado algum vídeo que mostre o acusado com arma em punho atirando nas vítimas? Se não tem prova, o mínimo era ter feito perícia nos projéteis encontrados”.

Ao pedir a absolvição de Cupertino, ela afirmou: “O meu cliente é um ser humano digno de receber um julgamento justo. E, pra mim, um julgamento justo é a absolvição. Se vier algo diferente de uma absolvição, não é justo. O Ministério Público não logrou comprovar a autoria delitiva do meu cliente. Não há provas concretas além do ‘ouvi dizer’. (…) A defesa suplica por justiça. E hoje, para que a justiça se cumpra, o acusado deve ser absolvido”.

Em contraponto, o promotor Thiago Alcocer Marin defendeu a condenação e afirmou: “mentiu de cara lavada” e transformou o tribunal num “picadeiro”. Segundo ele, Cupertino não demonstrou arrependimento e o caso contém fortes indícios: “Se não foi ele, quem foi? Não tem outra pessoa. Ninguém tinha motivo para levantar um dedo para aquela família, a não ser ele. A rainha das provas é a lógica humana. Tem lógica não ser o responsável por um crime e ficar três anos foragido? Foi ele que matou, e mais ninguém. Se tem rabo de gato, pelo de gato, orelha de gato e mia, é um gato”.