Rússia exige eleição na Ucrânia como condição para trégua

Além disso, a Rússia quer o fim das sanções internacionais, reconhecimento da anexação da Crimeia e das quatro regiões tomadas em 2022, e eleições presidenciais em Kiev

Nesta segunda-feira (2), a Rússia entregou oficialmente à Ucrânia suas exigências para um cessar-fogo e eventual tratado de paz, enquanto as hostilidades seguem intensas entre os dois países. A proposta russa inclui uma eleição presidencial imediata na Ucrânia antes de qualquer acordo — pressão direta sobre Volodimir Zelenski, que está com mandato vencido desde o ano passado devido ao estado de sítio.

Ambos os lados encerraram, sem grandes avanços, a segunda rodada de negociações diretas desde 2022, agora realizada em Istambul. Apesar do impasse, houve troca de memorandos com as condições de cada parte.

Demandas russas e resistência de Kiev
O Kremlin apresentou duas alternativas principais para um cessar-fogo: a retirada ucraniana das regiões ocupadas por Moscou — Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia — ou a aceitação de medidas como neutralidade militar, fim da presença estrangeira, suspensão da mobilização e limitação do Exército ucraniano.

Além disso, a Rússia quer o fim das sanções internacionais, reconhecimento da anexação da Crimeia e das quatro regiões tomadas em 2022, e eleições presidenciais em Kiev — condição que deixaria Zelenski vulnerável, já que poderia enfrentar o popular ex-comandante militar Valeri Zalujni.

Do lado ucraniano, a proposta inclui cessar-fogo imediato, repatriação de crianças levadas pela guerra, troca de prisioneiros e a presença de uma força de paz internacional. Kiev recusa a neutralidade e a cessão territorial imediata, mas admite negociar essa última em etapas. Também condiciona o avanço nas tratativas a uma reunião entre Putin e Zelenski.

Combates continuam e expectativas são baixas
As negociações ocorreram no palácio Çiragan, em Istambul, e duraram pouco mais de uma hora. Houve acordo para mais uma troca de prisioneiros, priorizando jovens e feridos. A Ucrânia também entregou uma lista de 339 crianças que deseja ver devolvidas.

A violência não deu trégua: Moscou lançou quase 500 drones, enquanto Kiev atacou cinco bases aéreas russas com drones lançados de dentro do território inimigo. Ambas as partes sofreram ataques com mísseis e aeronaves não tripuladas nas últimas 24 horas.

O avanço russo no norte ucraniano também preocupa. Em maio, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, Moscou conquistou mais de 500 km² — crescimento expressivo em relação aos meses anteriores.

A participação da Turquia e a mudança de postura dos EUA, sob Donald Trump, contribuíram para reabrir o diálogo. Trump sinalizou disposição para mediar pessoalmente as conversas, enquanto o presidente turco Erdogan também se ofereceu como anfitrião. Mesmo assim, o Kremlin mantém uma postura rígida e parece ditar o ritmo do processo.