Com voto de minerva, Senado dos EUA aprova plano orçamentário bilionário de Trump

O plano orçamentário foi negociado durante meses e é considerado peça-chave para a agenda política de Trump

Após intensas negociações e longas sessões no Senado dos Estados Unidos, foi aprovado um extenso projeto orçamentário defendido pelo presidente Donald Trump, apelidado por ele de “Grande e Bonito”. A medida, que unifica cortes de impostos e de investimentos sociais ao aumento de recursos para imigração e segurança interna, revelou divisões na base governista.

Apesar da maioria republicana no Senado, conquistada nas eleições de 2024, três senadores do partido — Rand Paul, Susan Collins e Thom Tillis — votaram contra a proposta, alinhando-se à oposição democrata e criando um impasse: 50 votos a favor e 50 contrários. Coube ao vice-presidente J.D. Vance, também presidente do Senado, decidir o desfecho da votação, garantindo a vitória do governo. Durante visita à Flórida, Trump afirmou que o projeto contempla diferentes interesses e representa um avanço significativo, fazendo referência também à construção de uma nova prisão para imigrantes em área isolada do estado.

Os três senadores republicanos dissidentes já vinham expressando preocupação com o aumento do teto de gastos e com cortes em programas essenciais, como o Medicaid. Lisa Murkowski, do Alasca, também ameaçava votar contra, mas acabou apoiando a proposta após mudanças de última hora que garantiram recursos para saúde em regiões rurais. Ela afirmou, posteriormente, que o processo foi exaustivo e que nem todas as suas reivindicações foram atendidas, indicando que ainda considera necessário debater pontos do projeto com mais profundidade.

O plano orçamentário foi negociado durante meses e é considerado peça-chave para a agenda política de Trump. Ele prevê cortes de impostos estimados em US$ 4 trilhões para empresas e pessoas físicas, mas aumenta a carga tributária sobre estrangeiros residentes e instituições de ensino superior. A medida eliminou isenções fiscais voltadas à energia limpa e veículos elétricos — decisão que atingiu diretamente setores liderados por Elon Musk, com quem Trump rompeu publicamente. Em contrapartida, foram introduzidos incentivos à produção de carvão e combustíveis fósseis. O projeto também eleva o teto da dívida federal em US$ 4 trilhões.

Outra prioridade do orçamento é o aumento do investimento em políticas de fronteira, com verbas destinadas à ampliação de barreiras com o México, contratação de agentes e melhorias em estruturas físicas. O orçamento militar foi expandido com um adicional de US$ 150 bilhões, destinados a um novo sistema de defesa aérea, batizado por Trump de “Domo de Ouro”.

Entretanto, os cortes nos programas sociais são expressivos e devem impactar milhões de americanos. O Medicaid, que beneficia cerca de 72 milhões de pessoas, enfrentará maior burocracia, possibilidade de cancelamento facilitado pelos estados e novas exigências de coparticipação para quem está acima da linha da pobreza. Já o programa de assistência alimentar, utilizado por 42 milhões de cidadãos, será revisto com critérios mais rigorosos e maior responsabilidade dos estados no financiamento.

Na área da educação, o projeto prevê uma economia de até US$ 330 bilhões ao longo de dez anos por meio de um novo sistema de empréstimos estudantis, considerado desfavorável a estudantes de baixa renda.

Como o texto sofreu alterações no Senado, deverá retornar à Câmara para uma votação final. A expectativa do governo é que a nova deliberação ocorra antes do feriado de 4 de Julho, quando Trump pretende sancionar a lei. Ele declarou que o trâmite será mais simples na Câmara do que no Senado, demonstrando confiança no desfecho.

Os democratas, por sua vez, alertam para o impacto social negativo da proposta e afirmam que seus efeitos poderão prejudicar os republicanos nas próximas eleições. O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, declarou que o fechamento de hospitais, aumento da dívida pública, demissões e cortes de benefícios marcarão a memória do eleitorado e que seu partido irá lembrar a população dessas consequências.