O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que seu país pretende estabelecer controle militar total sobre a Faixa de Gaza, sem, no entanto, manter a administração do território. A declaração foi dada à emissora norte-americana Fox News nesta quinta-feira (7), pouco antes de uma reunião com o Gabinete de segurança israelense sobre os próximos passos no conflito com o Hamas, que já se estende por quase dois anos e agravou a crise humanitária no enclave palestino.
Segundo Netanyahu, a presença militar israelense em Gaza visa desmantelar o Hamas, garantir a segurança do país e preparar a transferência do controle para uma autoridade civil que não tenha vínculos com o grupo extremista nem com qualquer força hostil a Israel.
Em conversa com jornalistas indianos, o premiê reiterou que não há intenção de anexar Gaza, mas de entregá-la a uma administração interina que garanta estabilidade. Reafirmou também que os objetivos centrais do conflito seguem sendo a destruição do Hamas e a libertação dos reféns israelenses. Ele ainda declarou que a guerra poderia terminar “amanhã”, caso o Hamas rendesse suas armas e libertasse os sequestrados sem condições.
— Não temos interesse em manter Gaza, nem em governá-la. Desejamos que forças árabes assumam a responsabilidade e proporcionem uma vida digna à população local, algo que não é possível sob domínio do Hamas — disse Netanyahu.
Apesar dessas declarações, autoridades jordanianas responderam que o futuro do enclave deve ser decidido pelos próprios palestinos, rejeitando qualquer plano unilateral por parte de Israel.
Enquanto isso, protestos se espalham por cidades israelenses, com familiares de reféns exigindo soluções concretas para a libertação dos sequestrados. Em frente ao gabinete de Netanyahu, manifestantes pressionam por um acordo imediato. Um grupo de parentes chegou a lançar uma flotilha em direção à costa de Gaza como forma simbólica de protesto.
O plano militar israelense, ainda em avaliação, envolve ocupar totalmente o território palestino — mesmo as áreas mais densamente povoadas, onde acredita-se que os reféns estejam mantidos. Atualmente, cerca de 75% da Faixa de Gaza está sob domínio das Forças de Defesa de Israel.
Nos bastidores, cresce a tensão entre líderes militares e membros do governo. O chefe do Estado-Maior, general Eyal Zamir, manifestou oposição à ocupação total e alertou sobre o risco à vida dos reféns. Em contraponto, o ministro da Defesa, Israel Katz, disse que o Exército seguirá as determinações políticas.
— Estamos lidando com decisões de vida ou morte. Nossa missão é proteger civis e soldados — afirmou Zamir.
O Fórum das Famílias dos Reféns também se posicionou contra o plano, pedindo que os militares priorizem a segurança dos sequestrados. Muitos temem que uma ofensiva total custe ainda mais vidas.
O conflito teve início em 7 de outubro de 2023, após o ataque do Hamas a Israel, que causou a morte de cerca de 1.200 pessoas e o sequestro de 251. Segundo o Exército israelense, 49 reféns permanecem em Gaza e ao menos 27 já teriam morrido. As ações de retaliação de Israel já deixaram mais de 61 mil mortos no enclave, de acordo com o Ministério da Saúde local — números reconhecidos pela ONU.