Na manhã desta segunda-feira, manifestações de carroceiros provocaram caos no trânsito de Recife e Olinda, com ruas bloqueadas, fumaça preta e fogo em entulhos espalhados pelas vias. Os protestos afetaram importantes corredores urbanos, gerando congestionamentos e transtornos para motoristas e pedestres. A categoria reclama da falta de diálogo com o poder público, apesar da Lei Municipal nº 17.918/2013, que prevê a proibição gradual da tração animal desde 2013.
Em Recife, os protestos atingiram a Ponte José de Barros Lima, no sentido Boa Viagem, e interditaram avenidas como Norte, Abdias de Carvalho, Recife e Caxangá. A Avenida Agamenon Magalhães também ficou completamente parada no sentido Zona Sul, obrigando passageiros de ônibus a descerem e seguirem a pé. A fumaça das barricadas em chamas podia ser vista à distância, e o Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 6h30 para controlar os focos de incêndio.
Em Olinda, os atos se concentraram na Avenida Pan-Nordestina, no bairro de Ouro Preto, também em protesto contra a legislação que limita a circulação de veículos de tração animal. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram a revolta de moradores diante da paralisação.
A Prefeitura de Recife, comandada por João Campos (PSB), afirmou que ao longo dos últimos anos realizou encontros com representantes de carroceiros e vaqueiros para conscientizar sobre os cuidados com os animais, apresentar alternativas de retirada gradual das carroças e oferecer oportunidades de inserção no mercado de trabalho. Um censo promovido pela administração até 30 de junho registrou os animais e os trabalhadores, sem apreender veículos ou animais, mas a categoria voltou a protestar alegando ausência de diálogo efetivo.
Criadores de animais de grande porte afirmam que a legislação ameaça a sobrevivência das famílias que dependem da atividade e expõe os animais a risco de abate. Os carroceiros defendem a criação de leis elaboradas em conjunto com a categoria e políticas públicas voltadas ao bem-estar animal, incluindo vacinação, atendimento veterinário e exames periódicos. Reivindicam ainda treinamentos de trânsito pela CTTU, emissão gratuita da “carta cocheiro”, emplacamento das carroças e registro dos animais com chip de identificação.
Além disso, pedem prorrogação do prazo para circulação, regras mais flexíveis para liberação de animais apreendidos, implementação de banco de ração e medicamentos subsidiados, e uma carteira de saúde animal.
Conflitos similares já ocorreram em outras cidades, como Belo Horizonte e Porto Alegre, enquanto Goiânia optou por reconhecer e regulamentar a atividade. Pesquisadores apontam que o tema divide opiniões: críticos afirmam que há exploração e sobrecarga dos animais, enquanto defensores negam maus-tratos e argumentam que a tração animal é patrimônio cultural brasileiro.