A partir deste sábado (4), o Banco Central (BC) inicia uma nova fase no combate a fraudes no sistema financeiro: chaves Pix associadas a golpes ou movimentações suspeitas poderão ser bloqueadas preventivamente pelas instituições financeiras. A medida tem como foco principal reforçar a segurança dos usuários e do ecossistema de pagamentos instantâneos.
O novo procedimento foi aprovado durante reunião do Fórum Pix, realizada na quinta-feira (2). O fórum é um comitê permanente que reúne representantes do sistema bancário e da sociedade civil, com cerca de 300 participantes, e atua como corpo consultivo do BC na definição de normas para o Pix.
Com a nova regra, quando uma chave Pix for consultada e estiver vinculada a um CPF ou conta já marcado como envolvido em fraude, o sistema emitirá um erro automaticamente — o que impedirá que a transação seja concluída. Isso significa que transferências para usuários com histórico fraudulento poderão ser bloqueadas antes mesmo de serem iniciadas, dificultando novas tentativas de golpe.
Porém, o bloqueio ocorrerá somente quando a consulta for feita na instituição que registrou a marcação de fraude. Ou seja, se um cliente tiver contas nos bancos A e B, e apenas o banco A identificar atividade fraudulenta, o bloqueio se aplicará somente às chaves vinculadas ao banco A. As chaves registradas no banco B continuarão funcionando normalmente, a menos que outra instituição também identifique irregularidades.
Segundo fontes próximas ao Banco Central, o modelo foi desenhado assim para evitar punições indevidas a clientes marcados por engano — um cuidado importante, considerando o impacto que o bloqueio de uma chave pode ter na vida financeira de um cidadão.
Essa iniciativa vem na esteira de mudanças mais amplas no regulamento do Pix. Na semana anterior, o BC já havia anunciado regras mais rígidas, como a obrigatoriedade de restringir transferências de contas ligadas a fraudes e a proibição de migração de chaves Pix em caso de marcação suspeita — uma tentativa de impedir que fraudadores abram novas contas na mesma instituição para escapar da marcação anterior.
O reforço nas medidas de segurança atende a uma preocupação crescente da autoridade monetária após diversos ataques cibernéticos registrados ao longo de 2025. Já foram contabilizados oito incidentes relevantes, com prejuízos que somam cerca de R$ 1,5 bilhão, embora aproximadamente R$ 850 milhões tenham sido recuperados até o momento.
O Pix, apesar de consolidado como uma das ferramentas de pagamento mais eficientes e acessíveis do país, ainda demanda ajustes regulatórios e tecnológicos constantes para impedir que sua praticidade seja explorada por organizações criminosas. O BC reforça que a segurança do sistema continuará sendo prioridade, com mais medidas sendo estudadas.