Dinamarca e Otan reforçam presença militar no Ártico

Tanto Copenhague quanto o governo autônomo groenlandês reafirmam que a soberania da ilha não está aberta à negociação

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, anunciou nesta sexta-feira (23) que o país, em parceria com a Otan, intensificará suas operações militares no Ártico em resposta à pressão de Donald Trump para anexar a Groenlândia. Tanto Copenhague quanto o governo autônomo groenlandês reafirmam que a soberania da ilha não está aberta à negociação.

Na quarta-feira (21), Trump afirmou que Estados Unidos e a aliança militar haviam firmado um acordo sobre o uso da Groenlândia, embora detalhes concretos sobre o pacto ainda não tenham sido divulgados. O ex-presidente americano defende “acesso total e ilimitado” à ilha, e a imprensa dos EUA sugere que Washington busca ocupar pequenas áreas para a instalação de bases militares.

A proposta americana seria inspirada no modelo vigente entre Reino Unido e Chipre, onde Londres mantém duas bases militares que ocupam 3% do território mediterrâneo da ilha, consideradas britânicas. O arranjo, criado nos anos 1960 quando Chipre se tornou independente, ainda gera protestos do governo cipriota, que o considera um “vestígio do colonialismo”.

Apesar das demandas recentes, os EUA já detêm acesso militar amplo à Groenlândia por meio de um acordo assinado em 1951, durante a Guerra Fria. Frederiksen indicou que o tratado poderia ser atualizado para atender a novas exigências de Washington, sem comprometer a soberania da ilha dinamarquesa.

A primeira-ministra se reuniu em Bruxelas com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, da Holanda. Ela destacou a necessidade de reforçar a presença da aliança no Ártico, considerando a defesa e segurança da região como prioridade para todos os membros. Frederiksen deve viajar ainda nesta sexta-feira para Nuuk, capital da Groenlândia, para tratar diretamente da situação.

Enquanto isso, Trump segue criticando a Otan. Em entrevista à Fox News, afirmou que os EUA não precisariam da aliança criada após a Segunda Guerra Mundial. Ele desvalorizou a contribuição europeia no Afeganistão, alegando que os soldados aliados ficaram “longe da linha de frente”.

O comentário provocou indignação entre veteranos europeus da guerra do Afeganistão. Dos cerca de 30 mil militares estrangeiros não americanos no conflito, aproximadamente um terço das baixas, 1.160 dos 3.621 mortos, não eram dos EUA. Entre os países europeus, a Dinamarca, alvo das críticas de Trump, teve 43 mortos, posicionando-se atrás apenas da Geórgia e dos Estados Unidos em termos de baixas relativas. Considerando a população de 5,5 milhões de habitantes em 2010, a taxa dinamarquesa foi de 7,8 mortes por milhão, quase igual à dos EUA, que registrou 7,9 por milhão.