Encontrar um logotipo com Bang & Olufsen,Bose, Beats, Harman Kardon e Mark Levinson, só para citar algumas marcas, costuma ser a garantia de que houve um carinho especial com o sistema de som do carro. Mas isso não necessariamente quer dizer que foi a grife quem fabricou todo o sistema de som do carro.
O caso do proprietário de um Jeep Commander que resolveu processar a fabricante ao descobrir que os alto-falantes não eram fabricados pela Harman Kardon foi publicado na edição de março. No entanto, toda toda a repercussão que o caso teve, tanto a Jeep quanto a Harman Kardon resolveram esclarecer como funciona a colaboração entre elas. Quem é o real fabricante do sistema de som?

Primeiro, é importante entender que cada marca de aparelhos de áudio High-End (de alta fidelidade) tem sua própria assinatura sonora. Os Beats, por exemplo, têm mais grave e os Bose costumam ter o som mais flat, focado na definição sem destacar agudos ou graves apenas. Mas nem sempre a presença de um sistema premium significa que os amplificadores e os alto-falantes são fabricados por aquela marca. O que é garantido é a calibração acústica específica.
Na prática, o projeto do sistema (posicionamento dos alto-falantes, equalização) é chancelado por uma grife de áudio, resultando em frequências mais consistentes e adequadas ao uso do carro. O projeto muitas vezes envolve modificações no habitáculo do veículo para melhorar a reflexão e propagação das ondas sonoras.
Algo do tipo aconteceu durante o desenvolvimento do Jeep Commander. O SUV tem tecnologia batizada de Fresh Air, no qual o subwoofer utiliza dutos de ar para realizar o acoplamento acústico com a estrutura da cabine. Essa solução de engenharia permite que o subwoofer opere de forma eficiente sem a necessidade de caixas acústicas volumosas instaladas no porta-malas, preservando a capacidade de carga do modelo.
O trabalho de equalização e o chamado sound tuning são específicos para o habitáculo do Commander. Por se tratar de um veículo com volume interno considerável, o ajuste precisa garantir que os passageiros da terceira fileira recebam a mesma qualidade sonora que os ocupantes dos bancos dianteiros.

A integração do sistema de som começa nas fases iniciais do projeto do veículo. A Harman Kardon estabelece as diretrizes de arquitetura sonora e as metas de desempenho que o conjunto deve atingir. Isso inclui desde o posicionamento dos alto-falantes até o mapeamento das frequências sonoras que devem ser priorizadas para compensar os ruídos naturais de rodagem e a aerodinâmica do carro em velocidades de rodovia.
Todo o processamento de áudio é definido pela Harman Kardon para manter a assinatura sonora da marca, independentemente da origem dos componentes físicos. É aí que entra um ponto que realmente separa os sistemas assinados mais comuns daqueles que são high-end de fato, que equipam carros de luxo.

O processamento do som acontece dentro da central multimídia do próprio carro. Seus módulos internos são ajustados de acordo com as definições da Harman Kardon, mas a central em si é da Marelli, fabricada no México. A fabricação dos alto-falantes é feita no Brasil, por meio de fornecedores locais que são homologados e certificados pela Stellantis e pela Harman.
A estratégia visa otimizar a logística de produção em Goiana (PE). Segundo as empresas, essa nacionalização não altera a engenharia ou a validação técnica final, já que os padrões de qualidade e os materiais seguem as normas internacionais exigidas pelo grupo Harman.
A presença dessa marca em peças individuais, como alto-falantes de reposição, deve-se ao modelo de pós-venda da Stellantis. A Mopar atua como a marca de suprimentos e peças genuínas do grupo, sendo responsável pela catalogação e distribuição dos itens no mercado brasileiro. A engenharia do produto permanece sendo de responsabilidade da Harman Kardon.
Outro patamar de som high-end
Um Jeep Commander usa o som Harman Kardon com 450 Watts de potência, distribuídos por 10 canais, sendo 9 alto-falantes e um subwoofer. O Jeep Compass já usa um sistema de som Beats com 506W, com o mesmo número de canais e falantes. O antigo Compass 4XE, por sua vez, chegava da Itália com um som Alpine com 8 falantes, subwoofer e os mesmos 506 W.
Em segmentos superiores, os sistemas de som assinados chegam a patamares de qualidade diferentes. Os Jeep Cherokee são, por tradição, equipados com sistema de som da McIntosh, uma variação do sistema McIntosh MX950 com 19 alto falantes e potência de 950 W. Desses alto-falantes, 12 deles ocupam posições otimizadas para a máxima qualidade sonora.

Neste caso, existe também um amplificador a parte para dar conta de todos os 17 canais, os alto-falantes são da própria McIntosh e usam materiais otimizados para tornar o som mais cristalino. O subwoofer tem 10 polegadas e bobina dupla, também.
Quando de chega no patamar dos Bowers & Wilkins de Aston Martin BMW, McLaren, Maserati e Volvo, dos Naim dos Bentley, dos Burmester dos Mercedes-Benz e dos Mark Levinson dos Lexus, a composição dos alto-falantes inclui tecnologias e materiais mais sofisticados. É o caso dos cones de berílio, cerâmica, magnésio, fibra de carbono e sanduíches de papel/espuma sintética, além de ímãs de neodímio, magnésio nos tweeters e carcaças de alumínio. Quanto mais rígido e leve é o alto-falante, menos distorção ele tende a ter.
E não custa dizer que Bang & Olufsen Automotive, Harman Kardon, JBL, Selenium, Infinity e Mark Levinson pertencem à mesma corporação, a Harman. E cada marca tem sua própria assinatura sonora.
Aqui temos um comparativo entre os sistemas de som de carros de luxo. É importante conferir para entender aquilo que se espera de um sistema de som de alta qualidade.

E, novamente, não adianta ter bons alto-falantes para que o sistema de som seja bom. Os módulos precisam ter qualidade de reprodução, a montagem dos alto-falantes precisa ser boa para que o carro não vibre e distorça o áudio com toda a sua pressão sonora, e a estrutura do carro precisa estar adequada à potência do sistema de som. Sound tuning e uma boa equalização, seguindo critérios, é um bom começo. Alto-falantes de qualidade são desejáveis.
Ter tudo isso ainda não basta. Não adianta ter um sistema de som high-end para reproduzir músicas em serviço de streaming com baixa qualidade. Não é toda plataforma que tem músicas com alta fidelidade (Hi-Fi ou Lossless). Ainda assim, o ideal é ter os arquivos baixados com a menor perda de compressão possível, em Flac e Alac, por exemplo, ou mesmo em CD. Aí sim será possível aproveitar todo o potencial do sistema de som.