Surto de hantavírus em cruzeiro mobiliza autoridades de saúde na Argentina

Segundo informações divulgadas pelas autoridades sanitárias, ainda não foi possível determinar onde ocorreu a contaminação

Autoridades de saúde da Argentina intensificaram o monitoramento do hantavírus após o surto registrado em um cruzeiro internacional que saiu da cidade de Ushuaia. O caso mobilizou representantes de diferentes províncias do país em uma reunião realizada nesta quinta-feira para discutir estratégias de vigilância epidemiológica e controle da doença.

Durante o encontro, foram apresentados dados atualizados sobre os casos identificados no navio MV Hondius, que iniciou a viagem na Patagônia argentina.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades sanitárias, ainda não foi possível determinar onde ocorreu a contaminação. No entanto, exames realizados em um passageiro internado na África do Sul apontaram a presença da cepa Andes do hantavírus — variante encontrada no sul da Argentina, especialmente nas províncias de Chubut, Río Negro e Neuquén, além de regiões do sul do Chile.

“Atualmente, estão sendo realizados novos estudos para determinar sua possível origem geográfica e sua relação com outras cepas envolvidas na transmissão entre pessoas”, informou o Ministério da Saúde argentino em comunicado oficial.

As investigações também analisam o percurso realizado por um casal holandês, apontado como os primeiros passageiros a manifestar sintomas da doença. Os dois morreram posteriormente. Antes do embarque, eles passaram por diferentes áreas da Argentina, Chile e Uruguai.

O governo argentino orientou as províncias a reforçarem a vigilância epidemiológica e aprimorarem a identificação de pacientes com sintomas compatíveis com o hantavírus. Somente em 2026, o país já contabiliza 42 casos confirmados da doença.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o surto ligado ao cruzeiro já resultou em três mortes e pelo menos cinco casos suspeitos seguem em investigação. Apesar disso, a entidade considera baixo o risco de disseminação global.

A empresa responsável pela embarcação, a Oceanwide Expeditions, informou que atualmente não há passageiros apresentando sintomas a bordo.

O navio deixou Cabo Verde na quarta-feira e segue viagem rumo às Ilhas Canárias, na Espanha, onde deve atracar no porto de Granadilla, em Tenerife, nos próximos dias.

Os hantavírus são transmitidos principalmente por roedores e podem causar doenças graves em humanos. Existem diferentes variantes circulando em várias partes do mundo, mas a cepa Andes chama atenção por ser a única conhecida até hoje com possibilidade de transmissão entre pessoas.

Até o momento, não existe vacina nem tratamento específico para a infecção.

As autoridades seguem investigando se o contágio ocorreu ainda em terra firme — na Argentina, Chile ou Uruguai — por contato com roedores infectados, ou se a transmissão aconteceu já durante a viagem marítima.