Após enfrentar desgaste na relação com a Polícia Federal e com o ministro do STF André Mendonça, o banqueiro Daniel Vorcaro decidiu reformular sua estratégia jurídica e sinalizou disposição para ampliar as informações apresentadas em sua delação premiada.
A primeira mudança ocorreu com a saída do advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, da defesa do empresário. Em entrevista à GloboNews, o criminalista afirmou que o desligamento ocorreu em “comum acordo” com Vorcaro.
Nos bastidores, a troca já vinha sendo discutida após atritos entre a antiga defesa, a Polícia Federal e André Mendonça, responsável pela relatoria do chamado Caso Master no Supremo Tribunal Federal.
Com a reformulação, o comando da estratégia passa a ser conduzido pelo advogado Sérgio Leonardo, que já integrava a equipe, mas atuava de forma mais discreta.
Além da mudança nos advogados, pessoas próximas ao banqueiro afirmam que Vorcaro estaria disposto a aprofundar a colaboração com as autoridades, incluindo novos detalhes e possíveis nomes ligados ao esquema investigado envolvendo o Banco Master.
A reviravolta acontece poucos dias após a Polícia Federal rejeitar a proposta inicial de delação apresentada pelo empresário. A Procuradoria-Geral da República ainda analisava o material, mas também teria solicitado ajustes e complementações.
Após esse cenário, André Mendonça autorizou que Vorcaro passasse a cumprir as regras comuns da custódia na Superintendência da PF em Brasília, o que resultou na transferência do banqueiro para uma cela considerada convencional.
Aliados do empresário afirmam que as condições do local seriam precárias. Segundo relatos, a cela não possui banheiro separado, o vaso sanitário fica no chão e não há chuveiro elétrico, apenas água fria saindo diretamente da parede.
Diante da situação, a defesa protocolou um pedido ao STF para que Vorcaro seja transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido informalmente como “Papudinha”.