Os alertas de desmatamento registrados na Amazônia durante o mês de maio ficaram próximos do menor patamar já observado para o período, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em contrapartida, o Cerrado voltou a apresentar uma área de vegetação suprimida superior à registrada no maior bioma brasileiro.
Levantamento do sistema Deter aponta que 370 quilômetros quadrados de floresta amazônica foram alvo de alertas de desmatamento em maio. O número está muito próximo da menor marca da série histórica para o mês, registrada em 2017, quando foram contabilizados 363 km².
Embora o monitoramento do Deter na Amazônia exista desde 2004, os dados considerados comparáveis atualmente têm como base os sensores mais modernos utilizados a partir de 2015 e 2016, que oferecem maior precisão na identificação de áreas desmatadas.
Enquanto a Amazônia apresentou índices próximos dos menores já registrados, o Cerrado contabilizou 776 km² sob alerta de supressão vegetal no mesmo período. Apesar de ser aproximadamente metade do tamanho da Amazônia, o bioma continua registrando níveis de desmatamento superiores.
Ainda assim, o resultado representa uma redução de cerca de 12% em comparação com maio de 2025. O volume também se aproxima da menor marca histórica para o mês no Cerrado, observada em 2020, quando os alertas atingiram cerca de 701 km². Nesse bioma, o sistema Deter começou a operar entre 2017 e 2018.
Especialistas ressaltam que os números do Deter não representam uma medição definitiva da área desmatada, mas funcionam como um sistema de alerta rápido para orientar ações de fiscalização e combate a crimes ambientais. Por isso, os dados são utilizados principalmente para identificar tendências e mudanças no ritmo da destruição da vegetação.
Os registros mais recentes reforçam uma trajetória de queda observada nos últimos meses, com índices inferiores aos verificados em anos anteriores. O comportamento dos dados tem sido utilizado pelo governo federal para destacar avanços nas ações de controle ambiental.
Durante agenda realizada na sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou a redução dos alertas de desmatamento ao comentar críticas feitas pelos Estados Unidos relacionadas à política ambiental brasileira.
Segundo Lula, as informações precisam ser levadas ao conhecimento de autoridades e representantes comerciais norte-americanos que utilizam o desmatamento como argumento para justificar medidas tarifárias contra produtos brasileiros.
Com base nos dados do Deter, o governo afirma que houve redução de 37,5% nos alertas de desmatamento na Amazônia entre agosto de 2025 e maio de 2026, em comparação com o mesmo intervalo anterior.
Ao comentar os números, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou: “[Os números] põem por terra, definitivamente, a acusação injusta, improcedente, dos Estados Unidos, que incluiu o desmatamento na Amazônia para justificar medidas para imposição de tarifas”.