PEC do fim da escala 6×1 fica parada no Senado e aguarda decisão de Alcolumbre

A condução do tema está nas mãos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que até o momento não enviou a proposta para apreciação da comissão responsável

A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 segue sem avanços no Senado Federal. O texto, que também reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas, permanece sob análise da Mesa Diretora da Casa e ainda não foi encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa necessária para o início da tramitação.

A condução do tema está nas mãos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que até o momento não enviou a proposta para apreciação da comissão responsável. Com isso, a PEC continua sem calendário definido para discussão.

O presidente da CCJ, Otto Alencar, afirmou que não recebeu qualquer comunicação sobre o encaminhamento da matéria. Segundo ele, uma reunião que teria com Alcolumbre para tratar de temas legislativos foi cancelada nesta semana.

Além disso, o encontro de líderes partidários, tradicionalmente realizado para definir prioridades da pauta do Senado, também não foi convocado. Na semana anterior, o próprio Alcolumbre havia informado no plenário que o futuro da proposta seria debatido justamente nessa reunião.

A PEC em discussão prevê mudanças significativas nas relações de trabalho. Entre os principais pontos está a garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, além da redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas.

Para especialistas, a demora em dar andamento ao texto tem relação com o cenário político e econômico. A cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), avalia que a medida desperta debates intensos tanto entre trabalhadores quanto no setor produtivo.

Na análise da pesquisadora, o fato de o país estar em período pré-eleitoral contribui para que as lideranças evitem decisões imediatas sobre temas de grande repercussão social.

Os impactos econômicos da proposta também dividem opiniões. Estudos e levantamentos apresentados nos últimos meses apontam conclusões distintas sobre possíveis reflexos na inflação, no mercado de trabalho e no crescimento da economia.

Apesar da paralisação momentânea, especialistas observam que o atraso não significa necessariamente rejeição ao conteúdo da proposta. A avaliação é que a presidência do Senado mantém o tema sob controle enquanto negociações e articulações políticas seguem ocorrendo nos bastidores.

Nesse contexto, o futuro da PEC continua indefinido, aguardando uma decisão da cúpula do Senado para avançar ou permanecer em compasso de espera.