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Demora na distribuição do SUS impulsiona judicialização da saúde no país

Por Brasil Direto

Um estudo da Interfarma revelou que mais da metade dos medicamentos solicitados na Justiça por pacientes brasileiros já tinha recomendação para incorporação ao SUS ou deveria estar disponível na rede pública.

A pesquisa, apresentada em um congresso internacional de avaliação de tecnologias em saúde em Istambul e premiada como melhor pôster do evento, analisou decisões judiciais entre janeiro de 2022 e abril de 2025. No total, foram examinados 3.049 processos e 4.637 pedidos envolvendo 1.402 medicamentos diferentes.

Os dados mostram que 57,5% das demandas envolviam fármacos já aprovados pela Conitec para oferta no sistema público. Para os pesquisadores, isso indica que a judicialização não se limita a tratamentos inéditos, mas também reflete falhas na etapa de implementação das políticas de saúde.

O intervalo entre a recomendação de incorporação e a efetiva disponibilização ao paciente pode ultrapassar dois anos, segundo o levantamento. Em alguns casos, medicamentos aprovados levam em média cerca de 30 meses para chegar aos usuários, apesar do prazo legal estimado em seis meses.

Parte desse atraso está relacionada à elaboração dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs), além das etapas de compra e organização da distribuição pelos gestores públicos. O resultado é que tratamentos já incorporados permanecem inacessíveis para muitos pacientes.

Entre os medicamentos mais judicializados, predominam aqueles que já possuem versões genéricas, similares ou biossimilares. A área de oncologia aparece entre as principais demandas.

Especialistas e representantes de pacientes afirmam que há casos de medicamentos aprovados há anos que ainda não chegam de forma regular ao SUS, o que contribui para o aumento das ações judiciais.

No campo das políticas públicas, o Ministério da Saúde anunciou mudanças no modelo de financiamento da oncologia, com centralização da compra de medicamentos de alto custo e uso de orçamento federal unificado, medida que busca ampliar o acesso.

Ainda assim, pesquisadores apontam que a falta de transparência sobre as etapas entre a decisão da Conitec e a entrega final dificulta a gestão do processo. Também é defendida a antecipação de negociações de preços como forma de reduzir atrasos.

O estudo conclui que o principal desafio não está apenas na aprovação dos medicamentos, mas na efetiva garantia de acesso aos pacientes dentro do prazo previsto.

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