A discussão sobre o fim da escala 6×1 deve ganhar novos desdobramentos na Câmara dos Deputados nas próximas semanas. Além da redução da carga semanal de trabalho, parlamentares e integrantes do governo federal também avaliam a possibilidade de permitir modelos alternativos de jornada, como a escala 4×3, em que o trabalhador teria três dias de descanso para quatro de expediente.
O avanço das negociações ocorreu após entendimento entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O acordo prevê a continuidade da tramitação do Projeto de Lei nº 1.838/26, encaminhado pelo Palácio do Planalto em abril com pedido de urgência constitucional.
A proposta em debate deverá estabelecer diretrizes gerais para uma nova jornada de trabalho no país, incluindo limite de 40 horas semanais, garantia de dois dias remunerados de descanso e fortalecimento das negociações coletivas entre empresas e trabalhadores.
Dentro desse cenário, setores específicos poderão discutir escalas diferenciadas, desde que respeitados os limites previstos na legislação. Entre as alternativas que vêm sendo debatidas está o modelo 4×3, além de formatos já utilizados em algumas áreas, como a jornada 12×36 adotada em segmentos da saúde.
Neste ano, um projeto apresentado pela deputada Daiana Santos já tratava da possibilidade de jornadas flexíveis, autorizando diferentes escalas desde que o expediente não ultrapassasse 10 horas por dia e 40 horas por semana.
O presidente da comissão especial que acompanha a proposta do fim da escala 6×1, Alencar Santana, também defende maior flexibilidade para determinados setores da economia.
A expectativa é que o texto avance nas próximas semanas e chegue ao plenário da Câmara no fim de maio, período simbólico por ocorrer durante o mês dedicado ao trabalhador.